Disritmia, termo médico, problemas no ritmo. Coração, cérebro. Descompasso. O tempo que não é o mesmo. O momento que pede para ser só. Ou se faz só sem pedir. Quando o mundo deixa de ser parte da gente. Quando o mundo não pára por a gente. Quando o-pouco- que se percebe ser deixa de ser levado. Pára. Respira, vira vontade de não ser. Espera inutilmente que a vida pare e respeite a disritmia.
Quando a ligação se interrompe. Quando o silêncio pesa. Ainda que se esteja no meio do barulho. Quando há dor. Quando o barulho surdo pesa. A disritmia feita pela dor. Quando a vida, sem querer saber do ritmo da gente, nos dita o seu, nos confunde, nos estarrece, nos arrebata. Nos deixa sem compasso. Nos desliga do que ela é. Faz isso tudo e não pára para esperar. E é tão sempre assim.
Ou quando de tão leve não se pode caber em si. Quando o silêncio eleva(enleva) e a vida não pára para ouvi-lo. Quando de felicidade se quer não ser. Para que tudo que é, naquela hora, continue sendo sempre: a gente pede para não ser, pois tudo que é em um momento não será no outro. Então, de feliz, a gente pede para não ser.
E assim são os descompassos, cada um da gente sente em um momento, o ser que a gente é tem um ritmo. Cada um o seu. Todos juntos, sem harmonia. Disritmia. Talvez a vida seja isso: coleção de ritmos diversos, descoordenados.
E cada um, ou quase, segue esperando, segue desejando, segue negando esse desejo: o desejo do tempo compartilhado. Quando o mundo esperaria, quando o mundo respeitaria, quando o ritmo da vida seria o da gente. Por um instante talvez.
Ou quando outro ritmo, um só talvez, pelo menos, ficaria igual ao da gente. Quando o querer não ser de dor ou de alegria ficaria igual a outro. Quando o tempo da gente seria também de outro. Quando, por(um)pouco,tudo seria ritmo, compasso. Como tanto se espera por isso!
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