Descreio da sua descrença no amor que nos une, saiba.
Creio no amor que se faz sem se fazer de carne e osso.
Já te disse da força dos teus fragmentos - de voz, de palavras - no meu dia.
E por isso vou lembrar de cada palavra que mais uma vez, hj, fez meu dia novo. E vou fazer nossas as palavras que vc me deu de presente. Olha no que deu:
Estava no aeroporto, no sábado à noite, aborrecido por não conseguir manter em dia minha correspondência com você. Tentei o telefone... achei que seu número não era mais o mesmo. - o número é o mesmo.
Voltemos à prudência dos e-mails. - sim, voltemos ao ponto em que cada palavra não se perde e pode ser ruminada, ruminadinha em cada dia frio ou feio.
Não sei o que você quer dizer com "homem-homem" que sou, mas nunca um adjetivo me fez sentir tão viril. - homem que é homem, não é mais menino. Homem viril do melhor jeito de ser viril - o menos utilitário, digamos. Homem-menino de vez em quando...
Os adjetivos sempre enganam. Também não sei bem o que você entende por "difícil". Nunca te achei fácil nem dificil. - acho que demorei, mas entendi. Demorei, mas te entendi, tb.
Para mim, a melhor definição sua é de uma mulher pensante (embora petista). - petista não, anarquista. - Os pensamentos oscilam as nossas certezas, redundando noutra óbvia definição sua: uma mulher insegura. - sim.
Dome as suas inseguranças. Saiba que como você não existem outras. Que você é única. Admiravelmente única. Admiravelmente inteligente e especial. - obrigada, eu te amo.
Bjs. - bjs.
P.S. Agora eu vi: a lua tá cheia, o céu tá claro e o mar, seco.
disritmias
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
eu
Tem dias que eu penso, penso, penso. E dói, dói, dói. E a minha vida é essa confusão: horas eu sou a dona dos meus atos e vejo a felicidade nisto. Horas eu tenho medo, medo, medo. E fico esperando que o invisível veja por mim, aja por mim. Horas eu olho a beira do buraco negro e passo horas pensando no que pode haver lá dentro. Horas eu só quero que alguém um dia resolva tudo e resolva certo. Assim se tece a minha humanidade, assim, muitas vezes, me sugam os meus quereres. Assim, olhando o infinito prá me ver nele do tamanho que sou, eu vou vivendo. Às vezes esqueço que o que é só meu é o mais fácil. Que, para sempre, o difícil é o outro. Os outros: o amor, a morte e o que trazem em si.
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Olho de costas
para o mundo, bem dentro do que eu escondo.
Então me pergunto:
se só eu vi beleza, houve mesmo beleza? Ela esteve naqueles lugares?
Poderia eu pensar que, se não esteve, ainda assim esteve em mim?
será que eu podia ser a dona exclusiva dessa beleza?
Eu não queria perdê-la, mas, sendo só minha, ela é tão afiada que me sagra três ou quatro gotas a cada manhã, dez ou quinze segundos depois que eu acordo.
Pede prá ir embora, beleza não se prende.
Ainda que sendo só minha, que só meu olho meio cego pôde ver, ainda assim tem de ir embora?
E o que me fica no lugar, o sono? ou a paz?
(suspiro)
Então me pergunto:
se só eu vi beleza, houve mesmo beleza? Ela esteve naqueles lugares?
Poderia eu pensar que, se não esteve, ainda assim esteve em mim?
será que eu podia ser a dona exclusiva dessa beleza?
Eu não queria perdê-la, mas, sendo só minha, ela é tão afiada que me sagra três ou quatro gotas a cada manhã, dez ou quinze segundos depois que eu acordo.
Pede prá ir embora, beleza não se prende.
Ainda que sendo só minha, que só meu olho meio cego pôde ver, ainda assim tem de ir embora?
E o que me fica no lugar, o sono? ou a paz?
(suspiro)
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Horinhas Delicadas
Mais um tabuleiro de palavras minhas, que, escritas, talvez pareçam menos barulhentas. Sempre fui tão transparente. Tantas vezes me senti nua.
E o que pode ter me levado a agir assim? A lógica vertical/horizontal explica de dois jeitos bem fáceis. Carência, o primeiro. Como é sempre duro para alguém admitir ter-se sentido assim. Tem até uma musiquinha do Cranberries que diz: “it is a lonely thing/ the animal instinct in me”. Coisa solitária o meu instinto animal. A outra explicação é mais suave. Empatia. Como se eu conhecesse vc, sem, de fato, conhecer.
Então, como eu fiz um pequeno relicário das coisas doces que vivenciei com vc, decidi ousar te contar quais foram. Na crença de que essas pequenas espontaneidades, e a forma como eu lidei com elas possam revelar mais de mim do que os fluxos em moto contínuo de minhas palavras angustiadas e narrativas atropeladas.
A primeira, um diálogo: vou entrar aqui só por sua causa e vc vai saindo? Então eu fico. Depois, o filme. E o jeito como foram tratadas as pessoas retratadas. A permeabilidade no olhar e a sensibilidade, aparentemente instintiva, de deixar que aquelas pessoas revelassem o que as comovia, o que as interessava, para, então, ver nascer o filme. Noves fora o “cabecismo” da expressão, é verdade que me comovi ao ver, posta em prática, na arte, a ética dialógica, tão rara, sempre.
E a festa. E resolvi entrar na piscina. Estava feliz, pensei que a água conservaria esse sentimento com mais força – por um pouco mais de tempo - do que o ar. Então choveu. A mesma água de tantos sonhos, ainda meio incompreendida, mas ainda assim tão atraente. A água que me redime... E a bênção de eu entrar na água e, logo em seguida, começar a chover. Estabeleci, em segredo, uma comunicação com o invisível e agradeci por tanta água, e tanta redenção, talvez. E lá esteva você , suavemente, nesse momento tão íntimo. Pensei em não deixar vc se aproximar, mas deixei. Então pensei que se houvesse um jeito leve de o amor se fazer presente, esse jeito seria no meio da água. Talvez um dia as pessoas ainda resolvam se casar na água, como se batizam.
E a casa. A luz que retive da sua casa é tênue. E achei tão linda a rosinha na varanda. Quando a vi pela primeira vez, ela não estava morta, estava maltratada pelo vento-sol-chuva, mas vivinha. E tão delicada. Ainda na sala, percebi que o vento, estranhamente, entrava curvo pela varanda. Silencioso e fazendo curvas. Esses ventos, tão raros, se me encontram feliz, parecem um carinho delicado. Se minha alma está por um fio, me dão um frio que eu me cubro mesmo o meu corpo muito quente. E seus livrinhos. Quintana, Ana César, tão diferentes entre si. E o poste na rua, que, de tardezinha, cria uma luz indireta no seu quarto. Casinha doce.
E vc, que eu não desvendo, que não quis se abrir, que disse tão pouco. Que ouve o que quer, que pode ouvir só o que quer. Que sorri em silêncio e me olha me despindo. Que enxugou o meu corpo molhado do seu suor. E nem precisava, já que aquele era meu corpo e então seu suor já era também meu. Quase não deixei, mas acabei deixando. E olhei tantas vezes vc sem olhar seu rosto, buscando, localizando, arrumando - talvez sendo também um pouco tola, é verdade – o ângulo do conto de Caio Fernando Abreu em que ela via parte do peito, parte do queixo moreno do homem que ela nunca veio a conhecer. É lindo esse conto. Tive, tantas outras vezes, vontade de desviar meu rosto do seu olhar. Talvez devesse ter feito mais vezes, mas me deixei olhar, enfim. E olhei, mas vi quase nada.
Não vinha sabendo lidar, até acabar escrevendo isto, com essa pequena caixa mental, esse tal relicário de pequenas coisinhas que amontoei na minha memória sem ter nenhum controle sobre sua escolha ou acumulação.
Mas achei belas essas cenas que descrevi. Li, no avião de volta de Lisboa, um livro que me explicou como reter a beleza. Já sabendo que ela é tão leve que chega a ser “insustentável”, ou impossível de ser retida. O nome do autor é Alain de Bottom. Ele diz – e outros, junto com ele – que não se prende a beleza nas fotos, nem em souvenirs, como uns fios de cabelo de quem se gosta. A beleza só se deixaria reter quando se escrevesse sobre ela, ou se a desenhasse. Acho que ele esqueceu de quem faz filme, mas, certamente, por um lapso. Então, na falta de um filme, retive assim aquelas horinhas delicadas. E resolvi deixar vc ver.
E o que pode ter me levado a agir assim? A lógica vertical/horizontal explica de dois jeitos bem fáceis. Carência, o primeiro. Como é sempre duro para alguém admitir ter-se sentido assim. Tem até uma musiquinha do Cranberries que diz: “it is a lonely thing/ the animal instinct in me”. Coisa solitária o meu instinto animal. A outra explicação é mais suave. Empatia. Como se eu conhecesse vc, sem, de fato, conhecer.
Então, como eu fiz um pequeno relicário das coisas doces que vivenciei com vc, decidi ousar te contar quais foram. Na crença de que essas pequenas espontaneidades, e a forma como eu lidei com elas possam revelar mais de mim do que os fluxos em moto contínuo de minhas palavras angustiadas e narrativas atropeladas.
A primeira, um diálogo: vou entrar aqui só por sua causa e vc vai saindo? Então eu fico. Depois, o filme. E o jeito como foram tratadas as pessoas retratadas. A permeabilidade no olhar e a sensibilidade, aparentemente instintiva, de deixar que aquelas pessoas revelassem o que as comovia, o que as interessava, para, então, ver nascer o filme. Noves fora o “cabecismo” da expressão, é verdade que me comovi ao ver, posta em prática, na arte, a ética dialógica, tão rara, sempre.
E a festa. E resolvi entrar na piscina. Estava feliz, pensei que a água conservaria esse sentimento com mais força – por um pouco mais de tempo - do que o ar. Então choveu. A mesma água de tantos sonhos, ainda meio incompreendida, mas ainda assim tão atraente. A água que me redime... E a bênção de eu entrar na água e, logo em seguida, começar a chover. Estabeleci, em segredo, uma comunicação com o invisível e agradeci por tanta água, e tanta redenção, talvez. E lá esteva você , suavemente, nesse momento tão íntimo. Pensei em não deixar vc se aproximar, mas deixei. Então pensei que se houvesse um jeito leve de o amor se fazer presente, esse jeito seria no meio da água. Talvez um dia as pessoas ainda resolvam se casar na água, como se batizam.
E a casa. A luz que retive da sua casa é tênue. E achei tão linda a rosinha na varanda. Quando a vi pela primeira vez, ela não estava morta, estava maltratada pelo vento-sol-chuva, mas vivinha. E tão delicada. Ainda na sala, percebi que o vento, estranhamente, entrava curvo pela varanda. Silencioso e fazendo curvas. Esses ventos, tão raros, se me encontram feliz, parecem um carinho delicado. Se minha alma está por um fio, me dão um frio que eu me cubro mesmo o meu corpo muito quente. E seus livrinhos. Quintana, Ana César, tão diferentes entre si. E o poste na rua, que, de tardezinha, cria uma luz indireta no seu quarto. Casinha doce.
E vc, que eu não desvendo, que não quis se abrir, que disse tão pouco. Que ouve o que quer, que pode ouvir só o que quer. Que sorri em silêncio e me olha me despindo. Que enxugou o meu corpo molhado do seu suor. E nem precisava, já que aquele era meu corpo e então seu suor já era também meu. Quase não deixei, mas acabei deixando. E olhei tantas vezes vc sem olhar seu rosto, buscando, localizando, arrumando - talvez sendo também um pouco tola, é verdade – o ângulo do conto de Caio Fernando Abreu em que ela via parte do peito, parte do queixo moreno do homem que ela nunca veio a conhecer. É lindo esse conto. Tive, tantas outras vezes, vontade de desviar meu rosto do seu olhar. Talvez devesse ter feito mais vezes, mas me deixei olhar, enfim. E olhei, mas vi quase nada.
Não vinha sabendo lidar, até acabar escrevendo isto, com essa pequena caixa mental, esse tal relicário de pequenas coisinhas que amontoei na minha memória sem ter nenhum controle sobre sua escolha ou acumulação.
Mas achei belas essas cenas que descrevi. Li, no avião de volta de Lisboa, um livro que me explicou como reter a beleza. Já sabendo que ela é tão leve que chega a ser “insustentável”, ou impossível de ser retida. O nome do autor é Alain de Bottom. Ele diz – e outros, junto com ele – que não se prende a beleza nas fotos, nem em souvenirs, como uns fios de cabelo de quem se gosta. A beleza só se deixaria reter quando se escrevesse sobre ela, ou se a desenhasse. Acho que ele esqueceu de quem faz filme, mas, certamente, por um lapso. Então, na falta de um filme, retive assim aquelas horinhas delicadas. E resolvi deixar vc ver.
segunda-feira, 31 de julho de 2006
Minha pequena epifania
Parece que é verdade que a vida se perde em inutilidades. Por isso é tão difícil escolher um momento prá ser eterno. Dá medo de ser um momento de Sísifo. Medo de escolher errado e passar a eternidade carregando a pedra. Por isso não escolho o meu momento eterno.
Mas hoje veio um vento quente do mar, quando parei, quase esquecendo, prá pegar os cinco quilos de livros. Lembrei do cheiro meio de mofo dos livros meio velhos. Como Morangos Mofados. Incrível como Caio Fernando alterna coisas lindas e pobrezas, mas mesmo assim enlaça. Estranhamente- mas talvez como tantos outros- me sinto ligada a ele por um laço afetivo de quem nunca se viu, como se sentisse saudade do que eu não vivi.
E ele fala de pequenas epifanias. Uma taça de vinho e a imagem de um rosto amado por trás dela. A descarga elétrica dessa visão.
E aí a sua voz e jeito de falar, e eu ouvidos e o que não se pode dizer e quase se disse, mas acabou não dito.
E agora só a sua voz ecoando em fragmentos, me fazendo ouvir o barulho da chuva quente. O vento que soprou forte no meu rosto.
Como o nome do meu filho é lindo.
E eu me forçando a olhar prá mim mesma. Olhar no meu rosto como se tivesse uma lupa. Sou bonita? Fui, sei lá? O meu olho parado a trêscentímetros do espelho.
A essa hora os fragmentos já não mais são significantes.
Sua voz é só o timbre.
Nem riso, nem palavras, talvez só a busca pelo tom de ciúme prá forçar um sorriso antes de deitar.
Sorriso no rosto, guardo só o timbre. Só esse fragmento.
Sim, pensei em vc sexta passada, já na madrugada do sábado, talvez mesmo tenha sonhado, não sei bem.
Tudo em vc é lembrança, sonho, já confundo o que disse com o quis dizer e não disse.
Mas guardo tudo. Meio enevoado.
Uma pequena epifania. Sua voz na minha véspera de mais um ano novo em agosto.
O meu som da sua voz.
E agora o meu agradecimento. Prá quando um dia vc ler essas palavras.
Mas hoje veio um vento quente do mar, quando parei, quase esquecendo, prá pegar os cinco quilos de livros. Lembrei do cheiro meio de mofo dos livros meio velhos. Como Morangos Mofados. Incrível como Caio Fernando alterna coisas lindas e pobrezas, mas mesmo assim enlaça. Estranhamente- mas talvez como tantos outros- me sinto ligada a ele por um laço afetivo de quem nunca se viu, como se sentisse saudade do que eu não vivi.
E ele fala de pequenas epifanias. Uma taça de vinho e a imagem de um rosto amado por trás dela. A descarga elétrica dessa visão.
E aí a sua voz e jeito de falar, e eu ouvidos e o que não se pode dizer e quase se disse, mas acabou não dito.
E agora só a sua voz ecoando em fragmentos, me fazendo ouvir o barulho da chuva quente. O vento que soprou forte no meu rosto.
Como o nome do meu filho é lindo.
E eu me forçando a olhar prá mim mesma. Olhar no meu rosto como se tivesse uma lupa. Sou bonita? Fui, sei lá? O meu olho parado a trêscentímetros do espelho.
A essa hora os fragmentos já não mais são significantes.
Sua voz é só o timbre.
Nem riso, nem palavras, talvez só a busca pelo tom de ciúme prá forçar um sorriso antes de deitar.
Sorriso no rosto, guardo só o timbre. Só esse fragmento.
Sim, pensei em vc sexta passada, já na madrugada do sábado, talvez mesmo tenha sonhado, não sei bem.
Tudo em vc é lembrança, sonho, já confundo o que disse com o quis dizer e não disse.
Mas guardo tudo. Meio enevoado.
Uma pequena epifania. Sua voz na minha véspera de mais um ano novo em agosto.
O meu som da sua voz.
E agora o meu agradecimento. Prá quando um dia vc ler essas palavras.
sábado, 8 de julho de 2006
Toda a vida
Busquei quem eu era
antes o maior problema era saber quem eu era, hoje o maior problema é saber o que fazer com o que sou. Íntegra eu sou, mas o que se faz com a integridade.
Se ser o que se é subtração. É descobrir que o que sou é tirar de mim.
Eu mesma me subtraio, entende?
Faço tudo para que tudo seja tão certo mas não faço de verdade;
Penso que faço mas não faço. Nâo me deixo nunca enlouquecer e qundo deixo deixo demais, aí subtraio.
Onde está o amor?
Descobri um dia que o maior exercício de humanidade era o amor, mas impiedosamente desejo um amor que me deseje amor.
Sou um animal, presa ao desejo de desejar um amor com a força do meu ventre.
Quero desejar, me sentir desesperada de desejo, revelando o animal fêmeo que sou.
quero novamente olhar do meu lado e me sentir completamente entrege, oferecendo meus ovários sem piedade, com vontade de chorar, de chorar loucamente, de sentir calor frio, o sol queimando minha cara, vontade de me desavessar, de olhar e dizer que eu sou completamente tua
como nunca poderia ser, de me dar, dar, com toda a violência da feminilidade, de olhar cada imperfeição e dizer que é minha, minha, de me sentir cega de desejo, desejo reclacado porque a maior dor é a dor da ferida narcisa.
LInda no nome mas dolorosa como deve ser andar com os pés desclaços irremdiavelmente lançada à passarela do inferno.
Olhar no seu olho, maldito e dizer que ainda é o maldito desejo que me mata, é a pele, o teu maldito cheiro, e eu ovulando e você casualmente me avisando que todos te pedem um maldito filho, prá vc certamente desfilar pela passarela do meu inferno, maldito, e eu sabendo que se fosse nosso teria quase dez anos, seria malditametnte lindo.
Mas eu não sirvo prá vc eu putaquepariu me desavesso, podiam me internar, podiam a cada dia me convencer da minha própria falência qu no fundo eu já pressentia mesmo, maldita hora que eu te vi na maldita foto e te desejei.
Soubesse eu que duraria tanto, tantas noites minhas tentando ser íntegra, te varrendo prá debaixo da sujeira escondida do meu desejo, aquela casa, com que tanto eu sonhei toda suja de poeira, desarrumada, pq eu não tenho dinheiro prá arrumar uma, aquela maldita casa do meu desejo que eu sempre tentei esquecer mas que arde arde como brasa acesa do meu não ter sido.
E vc desejando meu maldito corpo preso na minha cabeça meio linda meio louca que vc antevia no escuro da sua casa de desejo. Estranho, desejo ela hoje mais do que quando a tive em meus braços se esforçando, linda e tolamente prá ser minha. Eu quria mandar esse maldito desejo pro inferno porqeue aquela pobre desgraçada se fudeu tanto que só umfilhodaputa como eu podia desejar a pobre tão fudida como ela anda. Eu me dei bem, tive tudo, mas eu sou forte, aquela pobre coitada se fudendo, perdida naquela maldita inteligência fora do cumom que eu sempre tive que explicar que não valia nada, prá ela entender que eu valia muito mais e ela nunca entendeu, ela competia comigo, sem saber que que sou tão mais forte que ela, mas eu só queria aquela puta me desejando, me pedindo prá eu ser só dela e ela putaquepariu falando de todo filósofo de merda que nem ela mesma conhecia direito, sem me mostrar que me desejava sem me deixar ser o homem dela, mas eu era o homem dela.
e a gente se separou e a vida dele seguiu e a minha também, e eu querendo somente que ser íntegra e o mundo desmoronando porque a minha integridade era o tempo todo tão falsa, tão falsa, e eu me senti tão desamparada e queria escrever até adormecer dessa vida de derrota até o dia seguinte chegar e eu remontar meu teatro.
nada nada dói mais que o desejo.
antes o maior problema era saber quem eu era, hoje o maior problema é saber o que fazer com o que sou. Íntegra eu sou, mas o que se faz com a integridade.
Se ser o que se é subtração. É descobrir que o que sou é tirar de mim.
Eu mesma me subtraio, entende?
Faço tudo para que tudo seja tão certo mas não faço de verdade;
Penso que faço mas não faço. Nâo me deixo nunca enlouquecer e qundo deixo deixo demais, aí subtraio.
Onde está o amor?
Descobri um dia que o maior exercício de humanidade era o amor, mas impiedosamente desejo um amor que me deseje amor.
Sou um animal, presa ao desejo de desejar um amor com a força do meu ventre.
Quero desejar, me sentir desesperada de desejo, revelando o animal fêmeo que sou.
quero novamente olhar do meu lado e me sentir completamente entrege, oferecendo meus ovários sem piedade, com vontade de chorar, de chorar loucamente, de sentir calor frio, o sol queimando minha cara, vontade de me desavessar, de olhar e dizer que eu sou completamente tua
como nunca poderia ser, de me dar, dar, com toda a violência da feminilidade, de olhar cada imperfeição e dizer que é minha, minha, de me sentir cega de desejo, desejo reclacado porque a maior dor é a dor da ferida narcisa.
LInda no nome mas dolorosa como deve ser andar com os pés desclaços irremdiavelmente lançada à passarela do inferno.
Olhar no seu olho, maldito e dizer que ainda é o maldito desejo que me mata, é a pele, o teu maldito cheiro, e eu ovulando e você casualmente me avisando que todos te pedem um maldito filho, prá vc certamente desfilar pela passarela do meu inferno, maldito, e eu sabendo que se fosse nosso teria quase dez anos, seria malditametnte lindo.
Mas eu não sirvo prá vc eu putaquepariu me desavesso, podiam me internar, podiam a cada dia me convencer da minha própria falência qu no fundo eu já pressentia mesmo, maldita hora que eu te vi na maldita foto e te desejei.
Soubesse eu que duraria tanto, tantas noites minhas tentando ser íntegra, te varrendo prá debaixo da sujeira escondida do meu desejo, aquela casa, com que tanto eu sonhei toda suja de poeira, desarrumada, pq eu não tenho dinheiro prá arrumar uma, aquela maldita casa do meu desejo que eu sempre tentei esquecer mas que arde arde como brasa acesa do meu não ter sido.
E vc desejando meu maldito corpo preso na minha cabeça meio linda meio louca que vc antevia no escuro da sua casa de desejo. Estranho, desejo ela hoje mais do que quando a tive em meus braços se esforçando, linda e tolamente prá ser minha. Eu quria mandar esse maldito desejo pro inferno porqeue aquela pobre desgraçada se fudeu tanto que só umfilhodaputa como eu podia desejar a pobre tão fudida como ela anda. Eu me dei bem, tive tudo, mas eu sou forte, aquela pobre coitada se fudendo, perdida naquela maldita inteligência fora do cumom que eu sempre tive que explicar que não valia nada, prá ela entender que eu valia muito mais e ela nunca entendeu, ela competia comigo, sem saber que que sou tão mais forte que ela, mas eu só queria aquela puta me desejando, me pedindo prá eu ser só dela e ela putaquepariu falando de todo filósofo de merda que nem ela mesma conhecia direito, sem me mostrar que me desejava sem me deixar ser o homem dela, mas eu era o homem dela.
e a gente se separou e a vida dele seguiu e a minha também, e eu querendo somente que ser íntegra e o mundo desmoronando porque a minha integridade era o tempo todo tão falsa, tão falsa, e eu me senti tão desamparada e queria escrever até adormecer dessa vida de derrota até o dia seguinte chegar e eu remontar meu teatro.
nada nada dói mais que o desejo.
segunda-feira, 12 de junho de 2006
quem abaixa
muito amostra o fundo. Sabedoria popular, da babá do meu filho.
Fiquei furiosa, dia desses. Porque não me contaram a verdade. Toda a verdade.
Porque não me deixaram ver a verdade da felicidade, que não me incluía, em todas as suas cores.
O porquê era não me entristecer.
Furiosa coitadinha.
Não quero abaixar muito.
Mas sou inteira.
E não pode haver integridade sem sofrimento, sem preterição, sem perdas.
Lugar-comum, mas há o dia de caça e de caçador.
Então obrigada. Por me poupar daquelas cores que não são minhas.
Mostrei muito mais do que o fundo, abaixei mais que isso exigia.
Outos dias subi, subo.
Assim, sem métrica nem rima.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2005
retalhos
-mamãe, tu me amas? porque eu te amo.
-claro que eu te amo,mãe.
-por que só eu que falo primeiro?
-não sei, mas sei que eu te amo.
-você é meus olhos, filho.
-e você é a minha barbie princesa linda, mamãe.
- a gente só briga tanto porque é como irmã.
-vc é a mais velha.
-o teu peito cabe certinho na minha mão.
-e o meu coração também.
-você é frágil como esse ursinho de pelúcia, mas eu sempre estarei aqui prá te proteger.
-então porque vc se foi e eu nem consigo olhar o céu, de tanto que o choro turva os meus olhos?
-tenho a impressão de que nunca vou esquecer esse momento.
- a gente andando no meio-fio?
-é. e tenho medo disso.
-você cuida dos outros como mãe.
- nem notei. fiz isso agora?
-faz.
Meus retalhos, minha agenda, meu despertador, minha pequena colcha meio-viva,meio-esmaecida. E eu agulha, entro e saio,movimento regular, silencioso. Perfuro cada parte, emendo o que eu sou, para que não fuja de mim.
-claro que eu te amo,mãe.
-por que só eu que falo primeiro?
-não sei, mas sei que eu te amo.
-você é meus olhos, filho.
-e você é a minha barbie princesa linda, mamãe.
- a gente só briga tanto porque é como irmã.
-vc é a mais velha.
-o teu peito cabe certinho na minha mão.
-e o meu coração também.
-você é frágil como esse ursinho de pelúcia, mas eu sempre estarei aqui prá te proteger.
-então porque vc se foi e eu nem consigo olhar o céu, de tanto que o choro turva os meus olhos?
-tenho a impressão de que nunca vou esquecer esse momento.
- a gente andando no meio-fio?
-é. e tenho medo disso.
-você cuida dos outros como mãe.
- nem notei. fiz isso agora?
-faz.
Meus retalhos, minha agenda, meu despertador, minha pequena colcha meio-viva,meio-esmaecida. E eu agulha, entro e saio,movimento regular, silencioso. Perfuro cada parte, emendo o que eu sou, para que não fuja de mim.
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